lunes, 12 de noviembre de 2018

Manifestos, Manifiestos, Compromiso, Resistencia y Risa



Os nosos parentes máis próximos: os francotiradores, os llaneros solitarios que abordelan os cafés de chineses de latinoamérica, os destazados en supermarkets, nas súas tremendas disyuntivas individuo-colectividad; a impotencia da acción e a procura (a niveis individuais ou ben enfangados en contradicións estéticas) da acción poética. (Déixeno todo, nuevamente Manifesto infrarrealista Roberto Bolaño)

E a boa cultura burguesa? E a academia e os incendiarios? e as vanguardias e as súas retaguardias? E certas concepcións do amor, a boa paisaxe, a Colt precisa e multinacional? Como me dixo Saint-Just nun soño que tiven fai tempo: Ata as cabezas dos aristócratas pódennos servir de armas.

domingo, 14 de octubre de 2018

EUGENIO DE ANDRADE, (Ferrol, Luns, 15 de Outubro, 2018)

EUGENIO DE ANDRADE (Luns, 15 de outubro 2018)





BRANCO NO BRANCO

Já não se vê o trigo,
a vagarosa ondulação dos montes.
Não se pode dizer que fossem contigo,
tu só levaste esse modo
infantil de saltar o muro,
de levar à boca
um punhado de cerejas pretas,
de esconder o sorriso no bolso,
certa maneira de assobiar às rolas
ou então pedir um copo de água,
e dormir em novelo,
como só os gatos dormem.
Tudo isso eras tu, sujo de amoras.


(Andrade, 2005)



sábado, 20 de enero de 2018

Este Luns, 22 de Xaneiro, JOHN ASHBERY , os seus poemas



"o primeiro poema de Ashbery que li que me despertou um verdadeiro fascínio, especialmente por dar aquela sensação estranha de estar quaseconseguindo compreender sobre o que é o poema (se é que os poemas de Ashbery são sobre alguma coisa, de fato), sem, no entanto, chegar a qualquer coisa que se pareça com uma compreensão real. Vocês podem conferi-la clicando aqui, juntamente com uma brevíssima introdução sobre o poeta e a sua obra."    
(poemas de John Ashbery, tradução de Adriano Scandolara)

 https://escamandro.wordpress.com/2014/01/01/3-poemas-de-john-ashbery/

Um mal que vem para bem
Sim, eles estão vivos e podem ter essas cores,
Mas eu, em minha alma, estou vivo também.
Sinto que devo cantar e dançar, para dizer
Isso de certo jeito, sabendo que você pode estar atraído por mim.
E canto em meio ao desespero e o isolamento
A chance de te conhecer, de cantar de mim
O que é você. Você vê,
Você me segura contra a luz de um modo
Que nunca esperei ou suspeitei, talvez
Porque você sempre me diz que eu sou você,
E tenho razão. As grandes píceas rondam.
Sou seu para morrer junto, desejar.
Não posso jamais pensar em mim, eu desejo você
Num quarto em que as cadeiras
Estão com as costas viradas para a luz
Infligida sobre a pedra e os caminhos, as árvores reais
Que parecem brilhar para mim através das gelosias na sua direção.
Se a luz selvagem deste dia de janeiro é real
Eu me comprometo em ser-te verdadeiro,
Você que não consigo mais parar de lembrar.
Lembrar de perdoar. Lembrar de passar além de você, rumo ao dia
Nas asas do segredo que você jamais saberá.
Assumindo-me por mim mesmo, no caminho
Que os contornos pasteis do dia me atribuíram.
Prefiro “vocês” no plural, quero vocês
Vocês devem vir até mim, todos dourados e pálidos
Como o orvalho e o ar.
E então me começa a vir esse sentimento de exaltação.



sábado, 25 de noviembre de 2017

SÉCHU SENDE, Poemas no peto



Falarás a nossa língua
Falarás a nossa língua
porque estamos contigo,
minha filha.
Falarás a nossa língua
e as tuas palavras formarão parte
da natureza.
Serão estrelas nos dentes,
vaga-lumes frágeis,
sementes de algo
que não conhecemos ainda.
Atravessarão o céu do teu paladar
os nomes dos pássaros,
crescerão os nomes das árvores
na raiz da tua língua
e um dia depois da tormenta
sairá das tuas palavras
o arco da velha.
E falarás a nossa língua.
Como nesse conto infantil
no que afinal consegues superar os obstáculos
e vencer os inimigos
que querem roubar-che as palavras,
falarás a nossa língua.
Falarás a nossa língua
e aprenderás a fazer lume
chocando duas palavras
contra o frio.
Contra a fame
falarás a nossa língua.
Falarás a nossa língua
e moverás a terra com as vibrações
das tuas cordas vocais
e aprenderás a mudar o mundo
como a mulher que mudava as cousas
de sítio.
Falarás a nossa língua
e quando as tuas palavras se sentirem soinhas
-por todo o que sabemos- procurarás
outras vozes como a tua.
Escuta
É mui emocionante.
Somos muita gente.
Acompanha-te o teu povo
e muitos outros povos como o nosso e
se o povo defende a língua
a língua protege o povo.
Adiante.
Falarás a nossa língua
e a música rebentará as tuas palavras
como estalitroques nos dedos, globos de cores,
coquetéis Molotov, bombas de palenque
no céu.
E falarás a nossa língua.
Recolherás as palavras que abandona alguma gente
no caminho
e ajudarás outra gente a recuperar
as palavras perdidas.
Falarás a nossa língua
com homens, mulheres, nenas e nenos
do teu tempo,
do passado e do futuro
Falarás com o vento.
Falarás a nossa língua.
Perguntarás que significam as palavras desconhecidas
porque gostas das aventuras, dos dragões,
dos caroços das maçãs,
dos vulcães em erupção, dos caracóis.
Falarás a nossa língua.
Dormirás com o pijama do ouriço-cacho
e um verso no peito
e sonharás que falas qualquer um
dos 6.000 idiomas do planeta.
Falarás a nossa língua
com palavras como casas,
como gavetas com colheres,
palavras como Pippi Langstrumpf a saltar
encima da cama entre moedas de ouro,
e algum dia abraçarás-nos com elas.
Falarás a nossa língua
e as tuas palavras abrirão
os caminhos da vida.

miércoles, 8 de noviembre de 2017

POEMAS DE SOPHIA DE MELLO

O Luns, 20 de Novembro, as 19,30, na BIBLIOTECA CENTRAL, Ferrol


25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo