Mostrando entradas con la etiqueta "ricardo carvalho calero". Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta "ricardo carvalho calero". Mostrar todas las entradas

martes, 25 de enero de 2011

Una visita mas a CARVALHO CALERO



E agora som um velho patrom que
se senta ao sol no banco de um passeio.
A minha vida fica atrás. Foi minha?
Quem fum outrora?

Fum eu -este que agora som- aquele
que estes mesmos carreiros transitava
um tempo perseguindo a borboleta
ilusória do amor, e neste mesmo
banco torrava o coraçom, ao sol
do rosto de umha forma feminina,
já nom sei qual, ao meu carom sentada?

A minha boca que articula agora
um monológico silêncio, é
aquela que sabia dialogar
consoante a gramática perdida?

Nem apego me fica ao que onte fum,
nem ao que onte regia o meu falar
e o concertava com o falar seu.

Nacim já velho neste banco ao sol,
e aquel que outrora fum morreu em mim,
e sinto-o como um outro
que nom herdei, pois nada tenho del.

Mocidade nom tivem; som um velho
de poucos anos, que nacim assi.
Apócrifa é a história
com que alguns me encadeiam
às alegres tristezas de um passado
de harmonioso furor primaveral.

Sentado neste banco, tam só espero
que de mim mesmo brote o sono. Aquela
moça que se detém perante mim
—talvez onte ao meu lado se sentava—,
estorva-me hoje, e a seguir convido-a
a sua via, pois furta-me o sol.

lunes, 3 de mayo de 2010

Como tan desconocidos poemas? RICARDO CARVALHO CALERO, magnifico

 PRAIA DE CORUJO
Na area para min alguén cravou
o parasol, e á sua sombra puxo
a hamaca para min. O mundo Egipto.
Flabelo e trono: eu faraón.
No meu reino de auséncia, ausente impero.
Esquecido de min e o mundo, ambos
somos un, como o corpo e a alma. Todo
non cobizado é fácil para min.

Secretos pensamentos me arrodeian
como escravas despidas, que non ousan
un tilintar de ajorcas, e se esfuman,
virges ideias, no meu puro harem.

Sobre ninguén impero e reino en todo.
E o mundo é aquala e eu aquel, e somos
el, ela e eu os únicos,
e os tres un. E a unidade é, un intre, tres.

Da miña orquestra real, azuis doncelas,
esparegendo as suas testas brancas,
tangen os cons, arrolan o meu sono,
e os seus cabelos estran aos meus pes.
O sol olla-me, o sol paterno, voo
de áureo falcón imóvel sobre a vida.
O seu ouro é o meu sange, e, lento, flui
no meu corpo solar.

Teito azul, chan enxebre, alta pirámide.
Faixa
Adobiado estou. Pechade a porta.
Poñede o selo. El, ela e eu. Só un.



FERROL 1916
Cinco duros pagábamos de aluguer.
Era um terceiro andar, bem folgado.
Pola parte de atrás dava para o Campinho,
e por diante para a rua de Sam Francisco.

No segundo vivia a minha tia aboa:
Tiña unha peza cheia de paxaros disecados
que só abria os dias de festa
para que os nenos disfrutásemos nela.

Ainda vivia minha mãe
e todos os meus irmaos viviam,
e em frente trabalhava o senhor Pedro o tanoeiro,
e a grande tenda de efeitos navais mantinha o seu trafego.

Na casa tinhamos pombas
e, por suposto, un grande gato mouro;
e o mue pai era novo ainda
e no mar do mundo cada dia descobria eu unha ilha.

Via o mar da minha fiestra,
e chegavam cornetas da marinha.
E baixava os degraus duas vezes ao dia para ir à escola,
e duas vezes rubia-os de volta.

As mulheres entom usavam capa e corsé,
e íamos à aldeia em coche de cavalos,
e a rua estava ateigada de pregons de sardinhas
e de ingleses que vendiam Bíblias.

Eu tinha un pacto con Deus:
que ninguén dos meus morreria.
E o pacto era observado,
e eu confiaba na perenidade do pacto.

Todo isto fica tam longe
que aduro podo ainda lembrá-lo.
Esqueceria-o dentro de pouco tempo
se non escrebese estes versos.